O Brasil terminou o primeiro semestre de 2026 com entrada líquida de US$ 17,782 bilhões no fluxo cambial, de acordo com dados preliminares do Banco Central. Foi o melhor resultado para os seis primeiros meses do ano desde 2018, quando o ingresso líquido havia somado US$ 22,52 bilhões.
O fluxo cambial mede se, em determinado período, o país recebeu mais dólares do que enviou ao exterior em operações comerciais e financeiras.
No primeiro semestre, a conta comercial sustentou o saldo positivo. Ligada a exportações e importações, essa via registrou entrada líquida de US$ 33,897 bilhões e compensou a saída observada na conta financeira.
A conta financeira, que reúne investimentos, remessas, pagamentos e outras movimentações entre residentes e não residentes, teve saída líquida de US$ 16,115 bilhões. A diferença entre os dois canais explica o resultado final do semestre. Mesmo com retirada de recursos pela via financeira, a entrada comercial foi suficiente para manter o fluxo cambial total no azul.
A comparação com 2025 mostra a virada. No primeiro semestre do ano passado, o fluxo cambial havia apresentado saída líquida de US$ 14,34 bilhões. Junho também encerrou com entrada de dólares. O saldo mensal ficou positivo em US$ 3,909 bilhões, resultado de US$ 9,740 bilhões de entrada líquida pela conta comercial e US$ 5,831 bilhões de saída pela conta financeira.
O dado pesa na leitura sobre liquidez externa no Brasil. Mais dólares circulando no mercado doméstico podem aliviar parte da pressão sobre o câmbio, embora a cotação da moeda americana continue sensível a juros, risco fiscal, cenário internacional e apetite por ativos brasileiros.
Importadores, empresas que compram insumos em moeda estrangeira e companhias expostas a combustíveis acompanham o câmbio porque a variação do dólar altera custos. O efeito chega ao consumidor quando produtos importados ou itens com componentes dolarizados ficam mais caros ou mais baratos nas prateleiras.
Investidores em ativos brasileiros também observam o fluxo cambial como um termômetro da entrada e saída de recursos do país. O indicador, porém, não funciona sozinho: a trajetória do real depende também de inflação, contas públicas, juros e condições externas.
Nos três primeiros dias de julho, a diferença em relação ao fechamento do semestre indica saída líquida de cerca de US$ 958 milhões. Com isso, o saldo acumulado em 2026 até 3 de julho ficou positivo em US$ 16,824 bilhões.
A conta comercial entra nos próximos meses como principal ponto de sustentação do fluxo cambial. Se a saída financeira ganhar força e a entrada comercial perder fôlego, a leitura sobre oferta de dólares no Brasil pode mudar.

