SLC Agrícola compra área do Bloco Mato Grosso por R$ 669 milhões

Operação envolve 8,9 mil hectares agricultáveis e faz parte da divisão de um portfólio de terras negociado após exercício de direito de preferência.

A SLC Agrícola fechou acordo para comprar 8,9 mil hectares agricultáveis em Mato Grosso por R$ 669 milhões. A operação faz parte da partição do Bloco Mato Grosso, portfólio de propriedades rurais que, na etapa inicial, envolvia cerca de 41,2 mil hectares físicos, aproximadamente 28,8 mil hectares agricultáveis e valor total de R$ 1,85 bilhão.

Em 26 de junho, a companhia havia exercido direito de preferência pela totalidade do bloco. Depois que outros arrendatários também exerceram direito de preferência sobre áreas do mesmo portfólio, as partes chegaram a uma composição para dividir os imóveis entre os adquirentes.

Pelo acordo final, a SLC ficará com uma fatia das terras que já faziam parte de sua operação produtiva. A transação inclui terras, silos, algodoeira e outras benfeitorias operacionais. Do montante total, R$ 255,2 milhões serão pagos na assinatura do acordo, em conta vinculada, enquanto o saldo de R$ 413,9 milhões está previsto para ser quitado até 30 de outubro de 2026.

A terra nua útil/agricultável foi avaliada em cerca de R$ 639,3 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 72 mil por hectare. O restante do valor da operação corresponde à infraestrutura instalada nas propriedades.

Antes da composição, a companhia já operava 17,6 mil hectares na região por meio de contratos de arrendamento, com produção de soja, milho e algodão em sistema de rotação de culturas e segunda safra.

A SLC passará a deter 8,9 mil hectares e manterá outros 8,7 mil hectares em regime de arrendamento.

Parte desses contratos continuará válida por prazos diferentes, incluindo uma área que será recontratada por mais 15 anos após o vencimento do contrato atual.

O efeito empresarial da compra vai além do aumento de terras próprias. Ao transformar parte de uma área arrendada em propriedade, a companhia ganha mais controle sobre ativos usados diretamente na produção agrícola e reduz a dependência de contratos futuros de aluguel rural. Em contrapartida, a operação exige alocação relevante de capital em ativos imobiliários rurais, o que torna a geração de caixa e o retorno dessas áreas pontos importantes nos próximos balanços.

A leitura para investidores é de acompanhamento, não de conclusão antecipada. A compra pode reforçar a estratégia de expansão da SLC, mas seu impacto financeiro dependerá de como o desembolso será absorvido pela estrutura de capital da empresa e de quanto os ativos adquiridos contribuirão para a operação ao longo do tempo.

A conclusão da transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes e da aprovação do Cade, se aplicável. Antes de tratar o negócio como concluído, o ponto decisivo será acompanhar a aprovação regulatória e a efetivação dos pagamentos previstos no acordo.

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