A produção industrial brasileira perdeu força em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10). O setor recuou 0,2% na comparação com abril, na série com ajuste sazonal, e teve queda em 9 dos 15 locais pesquisados.
A perda foi mais intensa na Bahia, onde a produção caiu 8,9%.
Mato Grosso e Região Nordeste também ficaram entre os destaques negativos, ambos com recuo de 3,2%. O resultado mostra que a fraqueza de maio não ficou concentrada em apenas uma área industrial, embora a intensidade tenha variado bastante entre os locais pesquisados.
Seis locais escaparam do movimento de baixa: Ceará, Pernambuco, Santa Catarina, Amazonas, Paraná e Goiás. O Ceará teve o maior avanço mensal, com alta de 3,2%.
A leitura do indicador exige cuidado porque o resultado muda conforme a base de comparação. Frente a maio de 2025, a indústria nacional avançou 0,2%; no acumulado de janeiro a maio, cresceu 1,4%; em 12 meses, porém, a alta ficou em 0,4%, abaixo dos 0,7% registrados até abril.
A queda mensal sinaliza perda de ritmo no curto prazo.
O detalhe importante é que o recuo não elimina os ganhos acumulados em bases mais longas, mas revela uma atividade industrial irregular. No dado nacional divulgado anteriormente, André Macedo, gerente da pesquisa, afirmou que derivados de petróleo e indústrias extrativas “interromperam cinco meses consecutivos de expansão na produção”, ao comentar as principais pressões negativas de maio. Esses setores ajudam a explicar por que o resultado geral ficou fraco mesmo com avanços em outras atividades.
A indústria funciona como um termômetro da atividade porque as fábricas compram insumos, movimentam fornecedores, contratam trabalhadores e orientam parte dos investimentos empresariais. Quando a produção recua em várias regiões ao mesmo tempo, a leitura passa a ser menos sobre um tropeço isolado e mais sobre a força real da atividade no curto prazo.
A produção industrial regional de junho será divulgada em 11 de agosto. Essa próxima leitura deve mostrar se maio representou apenas uma pausa depois de meses melhores ou se a desaceleração começou a se espalhar pela indústria.

