O payroll dos Estados Unidos, previsto para quinta-feira (2), será o principal teste para os mercados na semana de 29 de junho a 3 de julho. O dado sai antes do feriado americano de sexta-feira (3) e pode mexer com as apostas para juros, dólar e Bolsas globais.
É o indicador mais sensível do calendário econômico da semana.
Nos Estados Unidos, três divulgações do mercado de trabalho concentrarão a atenção na semana. O JOLTS, previsto para terça-feira (30), mostrará a abertura de vagas em maio; o ADP, na quarta-feira (1º), trará uma leitura do emprego privado em junho; e o relatório oficial de emprego, conhecido no mercado como payroll, sairá na quinta-feira (2), com dados sobre criação de vagas, taxa de desemprego e salários.
A precisão importa porque, em sentido técnico, o payroll se refere à criação de vagas não agrícolas apurada na pesquisa com empresas. Já a taxa de desemprego vem de uma pesquisa domiciliar, também divulgada dentro do relatório oficial de emprego. Em conjunto, esses dados ajudam a medir se a economia americana ainda está forte demais para permitir cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve.
A relação com os juros é direta. Se emprego e salários continuarem resistentes, o banco central americano ganha menos margem para reduzir as taxas no curto prazo. Uma perda de força no mercado de trabalho aliviaria parte dessa pressão, mas também abriria dúvidas sobre o ritmo da economia.
No Brasil, a semana terá Boletim Focus, IGP-M, IPP, produção industrial, PMI Industrial, PMI de Serviços e PMI Composto. Esses indicadores ajudam a acompanhar expectativas para inflação, juros, câmbio e crescimento, além de mostrar sinais sobre custos ao produtor e desempenho da economia brasileira.
Os efeitos chegam por canais diferentes.
Empresas que dependem de crédito sentem a pressão quando financiamentos ficam mais caros ou difíceis de renovar. Bancos observam a demanda por empréstimos e o risco de inadimplência, enquanto consumidores endividados acompanham o custo das parcelas. Para investidores em renda fixa, os dados ajudam a calibrar a comparação entre aplicações conservadoras e ativos de maior risco.
O exterior também terá números relevantes da China, Japão, Reino Unido e União Europeia. Os PMIs industriais e de serviços funcionam como termômetros da atividade, pois indicam se empresas relatam expansão ou contração em produção, vendas e contratações.
A reação dos mercados dependerá principalmente do grau de surpresa nos dados americanos. Um payroll muito forte pode pressionar os juros dos Estados Unidos e fortalecer o dólar; um resultado fraco, por sua vez, pode deslocar a atenção para o risco de desaceleração global e testar o apetite por Bolsa.
Brasil
Segunda (29/06)
08:00 — IGP-M
08:00 — Boletim Focus
Terça (30/06)
08:30 — Balança orçamentária
09:00 — IPP
Quarta (01/07)
10:00 — PMI Industrial
Quinta (02/07)
06:00 — IPC-Fipe
09:00 — Produção industrial
Sexta (03/07)
10:00 — PMI de Serviços
10:00 — PMI Composto
Estados Unidos
Terça (30/06)
11:00 — Jolts (vagas em aberto)
Quarta (01/07)
09:15 — ADP: criação de empregos
10:45 — PMI Industrial
Quinta (02/07)
09:30 — Payroll (relatório de emprego)
Sexta (03/07)
Feriado — Dia da Independência
Reino Unido
Terça (30/06)
03:00 — PIB
Quarta (01/07)
05:30 — PMI Industrial
Sexta (03/07)
05:30 — PMI de Serviços
05:30 — PMI Composto
União Europeia
Segunda (29/06)
06:00 — Índices de confiança (consumidor, indústria e serviços)
Quarta (01/07)
05:00 — PMI Industrial
06:00 — Inflação (CPI)
Quinta (02/07)
06:00 — Taxa de desemprego
Sexta (03/07)
05:00 — PMI de Serviços
05:00 — PMI Composto
China
Segunda (29/06)
22:30 — PMI Industrial
22:30 — PMI Composto
Quinta (02/07)
22:45 — PMI de Serviços
Japão
Segunda (29/06)
20:30 — Taxa de desemprego
20:50 — Produção industrial
Terça (30/06)
21:30 — PMI Industrial
Quinta (02/07)
21:30 — PMI de Serviços

