A indústria brasileira recuou 0,2% em maio na comparação com abril, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta sexta-feira (3) pelo IBGE. Foi a primeira queda de 2026 e um sinal de perda de fôlego após quatro meses seguidos de alta.
O recuo veio depois de um início de ano positivo, mas ainda sem força suficiente para mostrar aceleração consistente do setor.
Na comparação com maio de 2025, a indústria avançou 0,2%. No acumulado de janeiro a maio, a alta foi de 1,4%. Em 12 meses, o crescimento ficou em 0,4%, sinal de avanço moderado quando se observa uma janela mais longa.
A pressão negativa mais forte veio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 6,1%, e das indústrias extrativas, que recuaram 2,6%. De acordo com André Macedo, gerente da PIM, as duas atividades “interromperam cinco meses consecutivos de expansão na produção”.
A distinção é importante: a indústria geral vinha de quatro altas mensais, enquanto esses dois ramos específicos vinham de cinco meses de crescimento. No caso dos derivados de petróleo, álcool etílico e gasolina puxaram a queda; nas extrativas, o recuo foi influenciado por minério de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural.
Houve, porém, avanços relevantes em outras frentes. Produtos farmoquímicos e farmacêuticos cresceram 13,1%, veículos automotores, reboques e carrocerias subiram 4,1%, e produtos químicos avançaram 3,1%.
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis foram o único grupo no campo positivo, com alta de 3,6%. Bens intermediários, bens de consumo semi e não duráveis e bens de capital recuaram em maio.
O alerta mais sensível está em bens de capital.
Essa categoria inclui máquinas e equipamentos usados na produção e funciona como um termômetro das decisões de investimento da indústria. Quando bens de capital perdem força, empresas podem estar adiando compras, reduzindo expansão produtiva ou reagindo a um ambiente de demanda e crédito mais cauteloso.
A produção industrial continua sendo um dos principais sinais sobre o ritmo da atividade econômica. Uma queda isolada não define tendência, mas a combinação entre recuo em petróleo, extrativas e bens de capital tira força do resultado de maio e torna os próximos dados mais importantes para medir se a indústria apenas devolveu parte das altas recentes ou se a desaceleração começou a se espalhar por segmentos mais estruturais do setor produtivo.

