Veio sem surpresas a decisão do Copom, ao reduziu a taxa Selic em 0,25 pp, para 14,00% ao ano, numa postura estritamente dependente de dados, eliminando sinalizações futuras (guidance) para garantir flexibilidade total em setembro.
Isso nos leva a percepção de que mais do que a decisão em si, já esperado, o que chamou atenção foi o comunicado, mais curto e objetivo agradando ao mercado.
Numa leitura para o futuro, um novo corte ou uma pausa em setembro estarão condicionados à melhora das expectativas inflacionárias, à continuidade da redução gradual da atividade e à desaceleração do mercado de trabalho.
Em verdade, este olhar de cenário deixa as portas abertas para o que será decidido na próxima reunião do Copom em setembro.
A autoridade monetária reconheceu a desaceleração gradual da atividade econômica e da inflação, mas preservou um tom cauteloso ao reforçar a resiliência do mercado de trabalho, a desancoragem das expectativas e a assimetria altista do balanço de riscos.
Analisando as avaliações dos economistas dos bancos. Podemos considerar:
1) foi corrigindo o ruído anterior, deixando setembro em aberto;
2) a mensagem do BCB foi simplificada, repetindo a estrutura do comunicado da reunião anterior em junho;
3) o Copom se viu “sem a necessidade de justificar o ciclo de calibração, agora que a projeção de inflação para o novo horizonte relevante (1T2028) caiu para 3,2%.”
4) Enfim, o comunicado foi considerado “focado e neutro”, destacando que o BCB ajustou seu diagnóstico para incorporar a moderação da atividade e a desaceleração da inflação observadas nas últimas semanas.
Nota editorial: este artigo é assinado por Julio Hegedus Netto. As análises, opiniões e interpretações apresentadas no texto são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a posição editorial do Economia em Pauta. O conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.

