A MRV&Co registrou R$ 2,75 bilhões em vendas líquidas de incorporação no 2º trimestre de 2026, alta de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme prévia operacional divulgada na quinta-feira (9). Os números são preliminares e ainda não auditados.
O resultado mostra avanço comercial na incorporação brasileira da companhia.
Para uma incorporadora, o ritmo de vendas ajuda a medir a absorção dos imóveis disponíveis e a força da demanda no período. Na comparação com o primeiro trimestre, as vendas também cresceram, indicando melhora entre abril e junho. Os lançamentos seguiram em direção diferente: a MRV&Co lançou R$ 2,95 bilhões em valor geral de vendas, conhecido no setor como VGV, queda de 14,4% em relação ao 2º trimestre de 2025.
O contraste é relevante porque vendas e lançamentos mostram etapas diferentes do negócio. As vendas indicam como os imóveis ofertados foram absorvidos, enquanto os lançamentos revelam quanto a empresa decidiu colocar de novos projetos no mercado.
Em um setor dependente de crédito, financiamento habitacional, renda das famílias e custos de obra, acelerar lançamentos não significa apenas aumentar oferta. Cada novo projeto exige capital, planejamento de obra, aprovação de financiamento e confiança de que a demanda seguirá forte até a conversão das vendas em caixa.
A MRV&Co também registrou geração de caixa de R$ 469 milhões no primeiro semestre de 2026. Para uma construtora, esse indicador é importante porque mostra a capacidade de transformar vendas, repasses e venda de ativos em entrada efetiva de recursos, reduzindo a necessidade de financiamento e a pressão sobre a estrutura de dívida.
Outro ponto relevante foi a Resia, braço da companhia nos Estados Unidos. No 2º trimestre, foi firmado compromisso de compra e venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, no Texas, por US$ 139 milhões.
Com a conclusão dessa transação, as vendas de ativos da Resia no primeiro semestre atingirão US$ 231 milhões. O movimento se conecta ao plano de desalavancagem da MRV&Co, voltado à liberação de recursos, redução da dívida e reforço da estrutura financeira.
O segundo semestre será decisivo para mostrar se o avanço comercial do 2º trimestre ganha consistência financeira. A companhia precisará manter o ritmo de vendas, avançar nos repasses, controlar o volume de novos lançamentos e executar a venda de ativos nos Estados Unidos sem elevar demais a necessidade de capital.

