As vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 1,5% em abril na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 16.
Apesar da queda mensal, o varejo ainda mostrou crescimento em outras bases de comparação. Em relação a abril de 2025, o volume de vendas avançou 1,0%. No acumulado do ano, o setor registra alta de 2,0%. Em 12 meses, o crescimento é de 1,5%.
O resultado de queda de 1,5% ficou próximo da parte mais negativa das estimativas do mercado. As projeções iam de recuo de 1,6% a alta de 0,35%, com mediana de queda de 0,7%. Isso mostra que o desempenho de abril foi mais fraco do que o ponto central esperado pelos analistas.
O varejo ampliado, que inclui material de construção, veículos e atacado alimentício, caiu 0,7% em abril ante março. Esse indicador é importante porque oferece uma leitura mais abrangente do comércio e inclui segmentos que ajudam a medir a força do consumo e a sensibilidade das famílias ao crédito.
Na prática, a queda de 1,5% nas vendas do varejo sugere perda de força do consumo em abril. Para a economia, o varejo funciona como um termômetro da disposição das famílias para comprar. Quando a renda cresce menos, a inflação reduz o poder de compra ou o crédito fica mais caro, o consumo tende a perder força.
O próximo ponto de atenção será verificar se a queda das vendas em abril foi pontual ou se indica uma desaceleração mais persistente do comércio. Também será importante acompanhar os próximos dados de consumo, crédito e renda, além de possíveis revisões nas séries do IBGE.

