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O que tirar de lição do momento que vivemos?

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Investimentos

O noticiário tem trazido nos últimos anos acontecimentos cuja magnitude e gravidade estavam adormecidas por décadas, quase séculos. Os telejornais, revistas e redes sociais trazem com correção os eventos catastróficos que têm antecipado extraordinariamente o fim da vida de muitas pessoas. Me veio a pergunta essa semana e busquei refletir no tema: Se todos com certeza morrerão, por que esses acontecimentos, cujo teor é a morte, são noticia?

Segundo os dicionários, notícia é  uma “informação a respeito de acontecimento ou mudança recentes; nova, novidade”, portanto trata-se de algo que foge à normalidade ou à naturalidade. Se uma pessoa faz o bem ao próximo, um cachorro late, uma pomba voa, um governante é honesto, uma criança faz birra e etc, isso não é uma noticia. Se uma pedra cai no chão também não o é. Portanto acontecimentos esperados e naturais não são noticia. O Contrário, por lógica, deve ser a tal da notícia.

Esta compreensão de natureza das coisas – por  um lado – e noticia  – por outro nos indica um bom caminho para categorizarmos os riscos aos quais estamos todos expostos. Sabemos que viver é um risco e pode ser que sejamos atingidos por um evento de certa raridade (um asteroide cair em nossa cabeça, uma ervilha que estranhamente trava na nossa glote, um bactéria que sabe-se-lá-o-motivo entrou no nosso cérebro entre outros), porém a probabilidade disso ocorrer é baixíssima, e a somatória desses baixíssimos riscos acabam por compor o “risco de viver”, ou “risco de mercado” (fazendo uma analogia com a teoria financeira). Por outro lado, se nos alimentamos mal, dirigimos em alta velocidade, ou se nos trancafiamos dentro de casa e não temos interação com a Vida etc, estamos nos expondo a um risco específico, cuja probabilidade de ocorrência de morte aumenta consideravelmente. A esse risco podemos dar o nome de exposição a um risco específico, ou, para os financistas, exposição ao risco do ativo.

Compreender essa diferença é fundamental para nos posicionarmos no nosso mundo e nos nossos investimentos. Ao assistir o noticiário e muitas vezes nos pegarmos tristes e desiludidos com a quantidade de acontecimento tristes do mundo, sabemos que se tratam de notícia, ou seja “a não natureza das coisas”, e os noticiários estão ali, por no máximo 2 horas por dia, para aquela finalidade. Do outro lado temos as “não-notícias” por intensas 22h! Ou seja, 92% do nosso dia é dedicado para uma vida imensa e cheia de acontecimentos naturais que nos fazem humanos e plenos, cuja materialidade pode ser vista num olhar puro de uma criança, num belo filme, numa música que nos emociona, num trabalho que realizamos com excelência, num erro, num atraso, num romance, num gozo, numa alegria ou numa arte que nos toca e faz refletir sobre nossa natureza. A natureza que está ali e que estamos sentindo naquele momento.

Aproveito a analogia entre vida e mercado para dizer como dentro das finanças são tratados os aconteciementos da vida e as noticias: O primeiro poderia ser o risco de mercado, enquanto o segundo o risco específico. Só no segundo caso podemos criar mecanismos para proteção, enquanto para o primeiro (o risco de mercado) não temos o que fazer, se não aceitar e viver intensamente o melhor que o mercado tem para nos oferecer. Se a vida nos ensina a sermos investidoras e investidores mais inteligentes e obtermos o melhor retorno sob um certo risco, o mercado pode ensinar a vivermos melhor. Afinal, nos preocupar com aquilo que está sob controle, entendermos o que são noticias (e que elas só são no máximo 8% do nosso dia), e reconhecer a natureza das coisas  nos ajudará a termos alguma paz de espírito e sucesso na vida.

Ah! E uma carteira de bons investimentos.

Conheça o autor!

Written by Torquato Santos

Como adminstrador e financista com mais de 15 anos de experiência na área financeira e de planejamento, encontrei na assessoria financeira a oportunidade de reinventar minha carreira influenciando o modo como as pessoas e empresas investem.

Pelo ensino genuíno sobre o processo decisório das pessoas, busco mostrar e acompanhar pessoas e empresas em um caminho relativamente novo no Brasil, que é o Mercado de Capitais.

Vamos juntos criar novos horizontes de valor para você, sua familia e sua empresa.

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