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O Declinismo

A capacidade de adaptação do ser humano indiscutivelmente é um dos maiores ativos da espécie

O Declinismo

Quando entrei na faculdade me lembro da sensação de tristeza por ter terminado o cursinho. No cursinho, senti uma tristeza ainda maior por ter sido encerrado o período do ensino médio, de longe o mais legal da minha vida. Mesmo sendo o periodo mais legal da minha vida, me lembro que no primeiro colegial sentia um quase desespero da escola em que vivi toda minha infância até a oitava série. “Que raios de vida é essa onde a felicidade só ocorre no passado?!” foi a pergunta que me fiz durante uma aula de cálculo 1 (talvez esteja explicado esta ser a única matéria que reprovei na minha vida).

A capacidade de adaptação do ser humano indiscutivelmente é um dos maiores ativos da espécie, e é amplo o campo de estudo da psique. Uma das características que tornou a espécie humana triunfante sobre as demais foi a possibilidade de encontrar soluções novas, descobrir novos caminhos e de tomar decisões racionais. A racionalidade é, portanto, aquilo que diferencia o humano dos outros animais.

Ainda assim, enxergamos em nosso cotidiano a dificuldade de alterar um hábito, criar uma nova rotina, mudar de ambiente e evoluir. Parece um paradoxo humano o fato de que aquilo que nos diferencia como espécie seja negligenciado e, muitas vezes, negado por nós mesmos. Por que isso ocorre? Somos seres, além de racionais, sentimentais, e essa mistura muitas vezes pode causar uma bela confusão.

Nosso cérebro é o centro de processamento de informações de tudo o que passa ao nosso redor, portanto é o centro de comando da nossa vida. A enxurrada de informações as quais ele é exposto é gigantesca e, para garantir o correto funcionamento do sistema, focando no que deve ser focado, ele buscar entender padrões e inclui-los numa espécie de piloto-automático. Ou seja, é criado um atalho que a pessoa acessará sempre que precisar processar algum tipo de decisão esperada (tipo a decisão de levantar da cama. É automática, não racionalizada). E é neste fundamental processo de otimização da atividade cerebral que muitas vezes as emoções e sentimentos avançam com força, afinal, como o cérebro deixou “no automático”, o coração (emoções, sentimentos, sensações, fantasias etc) age mais livremente.

Voltando ao meu inicio da faculdade, havia o reconhecimento de minha parte que estar ali, evoluindo, é o que eu devia fazer, mas a saudade de um local seguro, com amigos estabelecidos e afetuosos, me levavam quase a torcer para que eu voltasse para o passado. Talvez, naquele momento, sob a bomba de novas informações (universidade, trabalho, carreira, futuro, maioridade, ônibus cheio, novas amizades etc), meu cérebro tenha tomado um atalho comum chamado “declinismo”, que faz com que acreditemos que o passado foi melhor do que realmente foi e que o futuro esperado é pior do que realmente será.

O declinismo te prende na fantasia de um passado distorcido e impede que você tome decisões adequadas à realidade e à correta expectativa de futuro. Um bom caminho para corrigir essa visão distorcida (viés cognitivo) é a tomada de consciência pelo estudo e pela conversa, seja com uma terapeuta, uma boa amiga, ou uma boa assessora de investimentos.

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Written by Torquato Santos

Como adminstrador e financista com mais de 15 anos de experiência na área financeira e de planejamento, encontrei na assessoria financeira a oportunidade de reinventar minha carreira influenciando o modo como as pessoas e empresas investem.

Pelo ensino genuíno sobre o processo decisório das pessoas, busco mostrar e acompanhar pessoas e empresas em um caminho relativamente novo no Brasil, que é o Mercado de Capitais.

Vamos juntos criar novos horizontes de valor para você, sua familia e sua empresa.

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