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Lições de uma queda em batalha

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Após décadas de estabilidade, crescimento e relativo tempo de paz, o ocidente se depara com um acontecimento sombrio, ultrapassado e maldoso. O tempo é de guerra e as imagens são de terror. As diferentes gerações que convivem contemporaneamente, ou não viveram um período como esse, ou não viveram com tal nitidez a crueza e crueldade dos fatos.

Os prognósticos apresentados 24h em todas as línguas do mundo são variados, mas todos reconhecem o que uma escalada na Guerra da Ucrânia é provável e que as consequências serão muito duras. A decisão de iniciar um conflito esvaziou as manobras, e ambos os lados identificaram com mais clareza suas fortalezas e suas vulnerabilidades. O fato de uma das fortalezas ucranianas ser seu espírito aguerrido e sua coragem frente ao invasor, e da Russia ser um poder de destruição avassalador, colocam o conflito como de difícil resolução no curto prazo.

Na semana passada foi noticiado no Brasil um fato derivado do conflito, onde um congressista de uns 35 anos, natural de São Paulo e candidato ao governo de seu estado natal, foi “interceptado” em mensagens privadas mostrando a visão dele sobre as mulheres que estavam em êxodo de sua nação. Em êxodo sem maridos, pais e filhos (em idades habilitadas a combate). O político brasileiro expôs suas sombras de uma forma cruel, desumana, machista e moralmente criminosa, exaltando as características físicas de parte das mulheres ucranianas, e aproveitando da situação de vulnerabilidade extrema para ter sucesso sexual. O ato é vergonhoso e demonstra para todos nós o perigo que são as nossas sombras, quando protegidas pelo anonimato.

Eu tenho a mesma idade do político e reconheço que esse tipo de áudio, comentário e atitude seria facilmente aceito em meus grupos de relação de coleguismo e amizade masculinos. A mesma indignação que me atinge quando vejo o ato em público, certamente não me atingiria em anonimato (talvez não da mesma forma). Quem sabe talvez eu até fizesse coro com essa vergonha, depois de tentar mostrar como tal ato era um tanto ridículo e imoral.

Esse acontecimento me fez relembrar um trecho do livro ‘O Profeta’ de Khalil Gibran, quando o sábio Al Mustafá, perguntado por um juiz sobre a opinião dele sobre crime e o castigo, respondeu assim:

“…E tal como uma simples folha só amarelece em conjunto com toda a árvore, 

                                Também aquele que comete um crime não o pode fazer sem a anuência secreta de todos vós

                                Como numa procissão, caminhais juntos em direção ao vosso eu interior. 

                                Vós sois o caminho e os caminhantes e quando um de vós cai, cai por aqueles que vêm atrás, para os avisar da pedra que encontraram no caminho

                                 E cai por aqueles que vão à sua frente, que, embora mais rápidos e seguros, não estão livres de tropeçarem na mesma pedra…”

E é na sabedoria de Al Mustafá que me apoio para reiterar o pedido de olharmos a queda alheia como uma queda nossa, seja aquela no front de batalha pela nação, ou aquela no front de batalha pela noção.

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Written by Torquato Santos

Como adminstrador e financista com mais de 15 anos de experiência na área financeira e de planejamento, encontrei na assessoria financeira a oportunidade de reinventar minha carreira influenciando o modo como as pessoas e empresas investem.

Pelo ensino genuíno sobre o processo decisório das pessoas, busco mostrar e acompanhar pessoas e empresas em um caminho relativamente novo no Brasil, que é o Mercado de Capitais.

Vamos juntos criar novos horizontes de valor para você, sua familia e sua empresa.

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