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Inflação: A "temperatura corporal" de uma economia.

A temperatura corporal de uma criança é diferente da de um adulto. Me lembro do auge da pandemia, quando, ainda sem vacina e por meses a fio dentro de casa sem contato externo, decidimos ir para uma casa isolada no campo. Era inverno e, apesar do sol, fazia frio. Minha filha entrava na piscina e se divertia, enquanto eu não conseguia sequer conceber entrar numa agua tão gelada. Esse exemplo mostra que para diferentes etapas da vida nosso corpo está trabalhando de forma diferente. Na economia também existe essa diferença.

Países mais maduros e estabelecidos – os desenvolvidos – apresentam uma maturidade econômica que lhes garante uma taxa de crescimento mais estável e homogênea, enquanto países em crescimento tendem a ser mais “quentes”. Essa “temperatura corporal” mais elevada é o preço que os países – como as crianças – estão pagando para crescer, e a sua medida, no caso da economia, é a inflação. Natural.

Outra característica que as crianças têm é a necessidade de passar, mesmo com o calendário vacinal completo, por resfriados, gripes, alergias e doenças necessárias ao fortalecimento de seu sistema de defesa. Em muito desses casos, um pequena febre, por alguns dias, é perfeitamente normal e aceitável. Claro que há picos que devem ser tratados, mas tudo dentro de um situação média saudável. Da mesma forma é com os países em crescimento: Uma inflação um pouco maior que a dos mais desenvolvidos é esperada (afinal, está crescendo), e picos inflacionários também ocorrem, necessitando às vezes de uma medida de resposta adicional, mas nada que fuja à normalidade do momento.

Quando uma criança cresce de forma não tão saudável (não se alimentando direito, por exemplo), a sua propensão a picos de doenças e febres aumenta, necessitando de maior intervenção e consequente prejuízo ao crescimento e à vida adulta. No caso dos países não é diferente. Vamos pegar o exemplo do Brasil: Uma jovem nação que está crescendo e se desenvolvendo, mas que apoia grande parte de seu projeto de crescimento no consumo das famílias e governo (“se alimentando mal”). Ou seja, para crescer, precisa consumir (e, na verdade, pra crescer, precisa reservar). Neste caso, a chance de ter um pico de inflação (febre alta) é elevada, porque ao consumir sem a devida poupança e investimentos, os preços sobem rapidamente e o médico (banco central) tem que interferir prescrevendo “uma novalgina 1g” de alguns % de aumento no juros para resfriar esse consumo.

Mas é sempre assim? Não. Veja a jovem China e sua alta capacidade de poupança e investimentos. Cresce há 35 anos robustamente sem inflação alta. Outro exemplo é a Coreia do Sul. Por essa diferença no projeto de crescimento – Brasil no consumo, China e Coreia na poupança e investimento – que um está fadado a uma maturidade frágil e os outros estão se tornando grandes e saudáveis adultos, sendo capazes de exercer toda sua potencialidade como nação.

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Written by Torquato Santos

Como adminstrador e financista com mais de 15 anos de experiência na área financeira e de planejamento, encontrei na assessoria financeira a oportunidade de reinventar minha carreira influenciando o modo como as pessoas e empresas investem.

Pelo ensino genuíno sobre o processo decisório das pessoas, busco mostrar e acompanhar pessoas e empresas em um caminho relativamente novo no Brasil, que é o Mercado de Capitais.

Vamos juntos criar novos horizontes de valor para você, sua familia e sua empresa.

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